Alergias e Intolerâncias Alimentares

ALERGIAS ALIMENTARES

As doenças alérgicas são uma preocupação global de saúde, que afetam mais de meio bilhão de pessoas em todo o mundo.

Os fatores de risco genético estão claramente associados ao desenvolvimento de alergias, mas hoje sabemos que também há grande influência do meio ambiente no desenvolvimento das alergias.

Estudos sugerem que a regulação da microbiota intestinal é um fator ambiental chave no processo inflamatório e alergênico.

Por isso é tão importante o acompanhamento com Nutricionista Funcional que tenha amplo conhecimento em alergias alimentares.

 

ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE

A APLV é uma reação imunológica adversa imediata à proteína do leite de vaca.

Publicações recentes mostram que a APLV vem aumentando nas últimas décadas, e hoje atinge cerca de 1% a 2% da população adulta, e aproximadamente 3-5% na população pediátrica.

Na investigação de um paciente com APLV, a história clínica é fundamental, detalhando a idade de início dos sintomas, tempo decorrido entre a ingestão do alimento suspeito e o início dos sintomas, quantidade do alimento ingerido.

“As doenças alérgicas são uma preocupação global de saúde,
que afetam mais de meio bilhão de pessoas em todo o mundo.”

As manifestações clinicas podem variar desde reações de pele (urticária, eczema), sintoma gastrointestinal (regurgitação e vômitos, cólica, diarreia com ou sem sangue, constipação intestinal, esofagite/colite eosinofílica, enterocolite), em alguns casos, haver o comprometimento de vários orgãos (reação anafilática).

No lactente é comum a alergia, pois sua mucosa intestinal é muito imatura, e a proteína do leite de vaca (+ especificamente a caseína ou beta-lactoglobulina) pode passar pelo leite materno/ ou mesmo uso de fórmulas lácteas e desencadear as alergias nos bebes.

O tratamento para o paciente que tem alergia à proteína do leite de vaca é a exclusão completa de todos os derivados lácteos, alimentos que podem ter descritos na embalagem que pode ter risco de contaminação e até alguns cosméticos.

Por isso é fundamental que o paciente seja acompanhado por profissionais como uma Nutricionista Funcional e um Gastroenterologista, para uma avaliação e orientação individualizada.

 

HIPERSENSIBILIDADE TARDIA AO LEITE DE VACA

A Hipersensibilidade ao leite de vaca é um reação tardia (3 -72h) após o contato de qualquer derivado de leite.

“O diagnóstico é difícil pelos sintomas.
Faz-se geralmente eliminação, reintrodução e rotatividade.”

Na investigação de um paciente com hipersensibilidade ao leite de vaca, a história clínica é fundamental, detalhando o tempo decorrido entre a ingestão do alimento suspeito e o início dos sintomas, quantidade do alimento ingerido e tipo de reação.

As manifestações clínicas mais comuns são:

– Sinais respiratórios: asma, rinite; sinusite; amidalite .

– Sinais gastrointestinais: gastrite; colite; esofagite, refluxo, diarreia, constipação.

É importante a avaliação criteriosa do paciente para levar a um correto diagnóstico.

Além da dieta de exclusão / provocação, outra forma de diagnóstico é através do teste Elisa Microarray, mediado por IgG, para 221 alimentos.

É fundamental que o paciente seja acompanhado por profissionais como uma Nutricionista Funcional e um Gastroenterologista, para uma avaliação e orientação individualizada.

 

INTOLERÂNCIAS ALIMENTARES

As Intolerâncias alimentares têm crescido de maneira exponencial entre crianças e adultos.

Atualmente, temos visto que alguns fatores importantes têm contribuído ao longo da vida para o aparecimento de intolerâncias/hipersensibilidades tardias:

– Desmame precoce
– Monotonia da alimentação
– Consumo de alimentos refinados/industrializados
– Ingestão excessiva de bebida alcoólica
– Uso de antibióticos
– Gastroenterites de repetição
– *Dentre outros fatores que precisam de avaliação individualizada

As intolerâncias alimentares não se limitam somente ao trigo/ ou ao leite.

Quanto maior o quadro de hipermeabilidade intestinal, maiores as chances do paciente ter um quadro com múltiplas intolerâncias, devido ao organismo ficar mais suscetível imunologicamente.

Por isso é importantíssimo que o paciente procure profissionais competentes para uma avaliação criteriosa e individualizada.

 

INTOLERÂNCIA À LACTOSE

A intolerância a lactose é a incapacidade de digerir o açúcar “lactose” presente no leite e seus derivados.

Essa incapacidade acontece porque, por alguns fatores:

– Intolerância a lactose congênita (o bebê pode nascer sem a presença da enzima lactase);

– “Agressão”/ “Irritação”  ao intestino delgado ao longo da vida em função de hábitos alimentares inadequados/ou gastroenterite/ ingestão excessiva de bebida alcoólica ao longo da vida;

– Processo evolutivo: após o período de amamentação, a enzima lactase diminui e o mais comum é os adultos perderem a capacidade de metabolizar a lactose.

“Após o período de amamentação, a enzima lactase diminui
e o mais comum é os adultos perderem a capacidade de metabolizar a lactose.”

As manifestações clínicas mais comuns na intolerância a lactose são: dor, distensão e cãibras abdominais, náuseas e vômitos, diarreia e produção de gases pela ação de bactérias intestinais sobre a lactose, sendo estas responsáveis por todo o desconforto intestinal.

Cerca de 10% da população apresentam sintomas extra intestinais, tais como: dores de cabeça, vertigem, arritmia cardíaca.

Publicações recentes mostram que a prevalência da intolerância à lactose do adulto varia no mundo, sendo em torno de 5% no nordeste da Europa próximo ao Mar do Norte, com a menor de todas encontrada na Dinamarca (4%), na Grã-Bretanha (5%), e na Suécia (1% a 7%), e de cerca de 80-90 % na Ásia e Oriente Médio.

No Brasil, estima-se que aproximadamente 50-60% da população tem algum grau de intolerância.

É comum que os pacientes intolerantes mantenham o consumo de derivados lácteos “sem lactose”, ou usem a enzima lactase indiscriminadamente e permaneçam sinais e sintomas de desconforto intestinal.

Por isso, para que o tratamento seja eficiente, é fundamental que o paciente seja acompanhado por uma Nutricionista Funcional para uma avaliação e orientação individualizada.